A tokenização de dados é o processo de conversão de dados confidenciais, como informações de fabricação de tecidos e roupas em tokens, que podem ser conferidos com segurança na blockchain.
A tokenização de dados pode aprimorar a segurança, a privacidade e a conformidade dos dados, ao mesmo tempo em que evita o acesso não autorizado e o uso indevido.
O processo de tokenização de dados requer consideração e implementação cuidadosas para gerenciar seus benefícios.
Tokens são unidades digitais não mineráveis que existem como registros inseridos em blockchains. Os tokens existem em muitas formas diferentes e têm vários casos de uso. Por exemplo, eles podem ser usados como moedas ou para codificar dados.
Geralmente, os tokens são emitidos usando a tecnologia de blockchains. Alguns padrões de token populares incluem ERC-20, ERC-721, ERC-1155 e BEP-20. Tokens são unidades de valor transferíveis emitidas em uma blockchain, mas não são criptomoedas como o Bitcoin ou o Ether, que são nativas de suas respectivas blockchains.
A tokenização de dados é o processo de transformar dados confidenciais, como informações de tecidos, tingimentos naturais oriundos da Amazônia Legal, roupas e suas origens, em tokens que podem ser transferidos e armazenados.
Esses tokens costumam ser únicos, imutáveis e verificáveis na blockchain, o que aumenta a segurança, privacidade e conformidade dos dados. Por exemplo, um token de uma roupa pode ser usado pelo consumidor para que possa verificar a produção e a origem do produto, através da blockchain.
O conceito de tokenização de dados já existe há algum tempo. Ele é amplamente utilizado no setor financeiro para proteger informações de pagamento, mas tem potencial para ser aplicado a muitos outros setores, como é o caso da moda.
A tokenização é frequentemente usada quando a segurança dos dados e a conformidade com os padrões regulatórios são essenciais, como no processamento de pagamentos, na área da moda, na gestão de informações de identificação pessoal, entre outros.
A tokenização aumenta a segurança dos dados. Ao substituir dados confidenciais por tokens, a tokenização de dados reduz o risco de violação de dados, roubo de identidade, fraude e outros ataques cibernéticos. Os tokens são vinculados aos dados originais com um sistema de mapeamento seguro, portanto, mesmo que os tokens sejam roubados ou ocorra um vazamento de informações, os dados originais permanecem seguros.
Em um mundo onde empresas de tecnologia já demonstraram a capacidade de capturar mercados alheios, realmente acreditamos que um produto pudesse permanecer o mesmo, impunemente, por quase 100 anos? Poucos bens de consumo no mundo se mantiveram inalterados por 80 anos, como é o caso da jaqueta, do cadarço do tênis, de uma t-shirt de 1940 que é igual a uma de hoje em 2023.
O mundo fashion está sempre em evolução e é quase impossível não associar evolução à tecnologia, afinal, vivemos a era da inovação tecnológica. A tecnologia nos permite criar novas combinações, estabelecer novos relacionamentos, novas interações e está muito mais presente na indústria da moda do que se imagina.
É sobre o uso de tecnologias na moda circular e sustentável que queremos destacar.
A moda circular é o futuro e o uso da tecnologia é um fator imprescindível e viável para que a mudança de hábitos aconteça cada vez mais rápido, para que não ocorra o que vem acontecendo há quinze anos no Deserto do Atacama e em Acra, capital de Gana na África.
Redesenhar a indústria da moda na direção da economia sustentável é um desafio, e também o reflexo de um mercado com urgência de transformação, principalmente para a preservação do planeta.
É impossível falar do amanhã sem associar à palavra “sustentabilidade”, ou falar do futuro da moda sem falar em “moda circular”, afinal, há muito se discute sobre a escassez e uso desenfreado de nossos recursos naturais.
Um exemplo disso, é uma estimativa de que até 2050 seremos mais de 9 bilhões de pessoas no planeta, e se hoje, com cerca de 2 bilhões a menos, já enfrentamos diversos desafios sociais, econômicos, e ambientais, sendo que a indústria fashion contribui significativamente para esses conflitos, imagina só quando alcançarmos esses números, será catastrófico.
Logo, o uso de tecnologias diversas vem ajudando consideravelmente a acelerar um processo cada vez mais urgente: o consumo consciente.
Hoje, a necessidade de moda sustentável é maior do que nunca. Enquanto a moda envolve um consumo acelerado, a sustentabilidade envolve práticas viáveis de criar e produzir com responsabilidade econômica, social e ambiental.
A inovação tecnológica é o eixo central para o desenvolvimento de modelos de negócios circulares. Tecnologias emergentes permitem que negócios e marcas de moda gerem valor numa economia circular. Além disso, o desenvolvimento tecnológico impulsiona novos processos, canais de comunicação, formas de trabalho, permitindo um uso mais equilibrado dos recursos.
Compreende-se que o futuro da moda é digital, sustentável e muito criativo.
Já é possível acompanhar diversos exemplos dessas ferramentas a favor do mercado, como a tecnologia wearables, uma junção de moda e inteligência artificial, ou o Design Digital 3D, que é uma tendência tão sustentável quanto futurista. Com essas novas realidades, a experiência de compra ganha novos formatos, o que permite tanto a indústria quanto ao consumidor final ter experiências mais integradas e completas.
A internet vem ampliando os horizontes e vem deixando as peças ainda mais baratas para dar escala ao processo de conectar guarda-roupas abarrotados a quem busca um novo look.
Ferramentas como redes sociais, e-commerce e aplicativos de mensagens fomentam esse mercado e criam escalas exponenciais de conexão com pessoas, além de tornar o processo muito mais transparente e confiável.
Temos hoje uma enorme quantidade de ferramentas tecnológicas que nos ajudam no desafio de evitar o desperdício e construir um mundo mais justo e sustentável para todos os envolvidos na cadeia da moda.
Na era da informação e da tecnologia, o que vestimos diz muito sobre como enxergamos e reagimos aos problemas que nos cercam e sobre nossos valores.
Essa é a mensagem que queremos propagar por aqui.
Nós somos o que vestimos. O que você está vestindo para o planeta?
A moda sustentável é a moda que foca em uma produção e consumo de menor impacto no meio ambiente e nas pessoas.
Ao mesmo tempo, a sustentabilidade na moda também defende que ela seja mais durável e atemporal, sem encorajar o consumo excessivo de roupas descartáveis.
A proposta aqui é incentivar uma moda mais consciente e responsável, que valorize a qualidade, a durabilidade e a beleza intemporal das roupas. Como prática, então, ela costuma incluir diversas práticas, por exemplo:
= preferência por materiais reciclados ou orgânicos;
= escolha de processos de fabricação mais eficientes em termos de energia e água;
= adoção de práticas justas de comércio justo para trabalhadores da indústria da moda.
Pessoas que defendem essa ideia costumam procurar consumir de empresas e organizações que tenham esses valores dentro do modelo de produção.
Embora não seja um evento de um ano específico, essa ideia não é tão nova: práticas sustentáveis nesse setor remontam desde os anos 60.
Um dos grandes fatores para isso foi o movimento hippie, que defendia o meio ambiente e a comunidade e, como efeito disso, uma moda mais limpa e preocupada com os aspectos ambientais e sociais.
Nos anos 2000, novos movimentos de sustentabilidade na moda começaram a surgir como parte do desenvolvimento da moda sustentável.
Esse debate ganhou mais força a partir dos anos 2010, quando se tornou cada vez mais evidente o impacto negativo da moda rápida e do consumo excessivo de roupas.
As toneladas de resíduos têxteis são um dos principais vilões da indústria da moda.
A produção excessiva de roupas e a rápida obsolescência da moda levaram a um aumento significativo na quantidade de resíduos têxteis gerados em todo o planeta.
Roupas velhas, retalhos e peças de couro compõem as mais de 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis descartados por ano apenas no Brasil.
Esses resíduos têxteis podem levar décadas ou até séculos para se decompor, ou ainda podem ser incinerados, gerando emissões prejudiciais ao meio ambiente, porém, com a nossa plataforma CH4, esses lixos podem ser incinerados e transformados em biometano e biogás, passando a não prejudicar mais o meio ambiente.
A inovação tecnológica em produtos físicos através de novos materiais, robótica, nanotecnologia, Internet das Coisas e Inteligência Artificial está, neste exato momento, em ponto de inflexão, seguindo silenciosa no mundo da moda.
A tech fashion começará a entregar, nos próximos anos, tecidos inteligentes, regenerativos e amigáveis ao meio ambiente, fornecendo ao usuário dados como locomoção, exposição UV, sinais vitais e interações com games, empresas, autoridades e o que mais o usuário permitir.
Na tech fashion, produtos terão uma base feita de materiais inteligentes, capazes de mudar de cor e textura via app. Pense, por exemplo, em paletós, gravatas, calças, sapatos. Você poderá ter uma única “base” física destes itens. Cores e texturas serão modificáveis por meio de aplicativos, compradas on-line. Assim, sua “coleção” de ternos poderá ser composta por uma única peça no armário, multiplicada por diversas cores, guardadas em seu perfil na nuvem.
Num mesmo evento, você poderá estar com paletó cinza e minutos depois, marinho. O calçado caramelo, poderá ficar preto. Se isso parece improvável ou distante, basta pensar em quantos CDs ainda temos em casa (zero) e a quantidade de músicas que podemos ouvir com um simples toque numa tela (bilhões).
Haverá, ainda, outra camada fundamental neste jogo: a colaboração. Creators disponibilizarão novas cores e texturas para as marcas oferecerem ao público, sendo diretamente remunerados, via blockchain, a cada download de suas texturas.
O modelo de produto com base inteligente absorvendo uma camada de cor-textura por download é tão provável, que a BMW apresentou um carro-conceito que muda inteiramente de cor por app, usando uma tecnologia similar à dos e-readers, chamada e-Ink. A grade frontal deste carro tem ainda uma película que se regenera sozinha de arranhões e riscos causados por pedras ou detritos nas ruas.
Voltando à tech fashion, agasalhos terão micro fiações internas feitas de cobre e ouro, promovendo o aquecimento do usuário sem a necessidade de tantas camadas de tecido.
A marca inglesa Vollebak, por exemplo, vem se especializando no uso do grafeno em suas roupas. Trata-se de um material formado por uma camada fina de grafite, com estrutura de átomos de carbono organizada em hexágonos. O material tem sido considerado o mais fino, leve e forte do mundo, com propriedades variando conforme sua construção: supercondutores, isolantes ou magnéticas, e o Brasil é um dos países que tem a maior quantidade de jazidas de grafeno.
A mesma Vollebak, que já havia criado um agasalho imune a vírus e bactérias, divulgou recentemente sua jaqueta de “camuflagem térmica” desenvolvida com o Instituto Nacional do Grafeno, da Universidade de Manchester. Um conjunto de patches de grafeno é aplicado à jaqueta e um pequeno microprocessador recebe o comando que altera a temperatura de cada patch.
Os desenvolvedores chegaram a brincar de Tetris diante de uma câmera infravermelha fazendo pedaços da jaqueta sumirem. Abre-se o longo caminho para um futuro traje invisível, ao menos diante de câmeras infravermelho.
Já a americana Bolt Threads dedica-se ao desenvolvimento de materiais de base biológica para a indústria da moda, como o couro vegetal Mylo. Criado a partir de fungos, foi usado por Stella McCartney em bolsas e acessórios.
A Bolt patenteou também uma tecnologia de fios sustentáveis inspirada em teias de aranhas, este fio entrega mais resistência, elasticidade e durabilidade, além de ser biodegradável ao fim de sua vida útil.
Gostemos ou não, a criatividade a serviço da competição é algo poderoso.
A moda das passarelas vem entregando muito em inovação estética, fundamental para a criação de valores identitários. Mas se nos últimos 40 anos, marcas de moda vêm montando seus produtos com alta dose de arte, estética e muita autonomia em relação à indústria, neste novo cenário em que roupas se transformam em um hardware conectado, a interdisciplinaridade com áreas “exatas” é vital.