Hoje, pensando melhor, mudança de comportamento é algo que leva tempo e amadurecimento da humanidade, mas é acelerada quando toda a sociedade adota novos valores.
O termo “sociedade de consumo” foi cunhado por nós para denominar a sociedade global baseada no valor do “ter”. No entanto, o que observamos agora são os valores de sustentabilidade, fazendo parte da consciência coletiva no Brasil e no mundo.
Este novo olhar sobre o que deve ser buscado por cada um de nós tem promovido a mudança de comportamento, o abandono de práticas nocivas de alto consumo e desperdício e a adoção de práticas conscientes de consumo.
Consumo consciente, consumo verde e consumo responsável são nuances do Consumo Sustentável, cada um focando uma dimensão do consumo.
O consumo consciente é o conceito mais amplo e simples de aplicar no dia a dia: basta estar atento à forma como consumimos, diminuindo o desperdício de água e energia, por exemplo, e às nossas escolhas de compra, privilegiando produtos e empresas responsáveis. A partir do consumo consciente, a nossa sociedade envia um recado ao setor produtivo de que anseiam por produtos e serviços que tragam impactos positivos ou reduzam significativamente os impactos negativos no acumulado do consumo de todos os cidadãos.
Nossa população cresceu, somos 213 milhões e nosso poder aquisitivo vai aumentar gradativamente através do novo Governo. Este momento singular na História do Brasil tem reflexo no aumento do consumo: carros, imóveis, celulares, tvs, etc. Não há razão para impedir que esta demanda reprimida de consumo seja refreada, pois o consumo fortalece nossa economia. No entanto, é a oportunidade histórica de abandonar os padrões de consumo exagerado copiados de países de primeiro mundo e estabelecer padrões brasileiros de consumo em harmonia com o meio ambiente, a saúde humana e com a sociedade.
Antes de chegarmos na atualidade, muitos fatores levaram a nossa população a repensar suas atitudes e a possibilidade de investir em um consumo mais sustentável. A revolução industrial, o ambientalismo dos anos 70, a vida útil e processos de desenvolvimento de produtos e a própria pandemia do Covid-19 impactaram nisso.
Hoje, o consumo sustentável é uma expressão empregada com muita frequência em diferentes meios de comunicação. Se você pesquisar em ferramentas de busca da internet, surgirão milhares de resultados diferentes com artigos científicos, notícias, ofertas de produtos, entre outros. Cada um deles possui uma forma diferente de definir o que é consumo sustentável, sendo uma importante atitude que o consumidor contemporâneo deveria assumir para ter uma pegada mais leve e ajudar a preservar o clima do planeta.
Desdeageladeiraquecompramosatéocarroquedirigimos,todasasescolhasdeconsumotrazemalgumtipodeconsequênciaparaomundo.
No entanto, se essa consequência será boa ou ruim é o que determinará se você está praticando ou não o consumo responsável.
O consumo mundial, além de estar mal distribuído, está descontrolado: cerca de 20% da população mundial concentra o consumo de 80% de todos os produtos e serviços do planeta. E, a cada ano, entram mais de 150 milhões de novos consumidores no mercado. Essa estimativa mostra que, nos próximos
20 anos, teremos três bilhões de pessoas desperdiçando alimentos, demorando demais do que o necessário no banho, idolatrando vitrines de shoppings, esperando nas filas das lojas e comprando pela internet.
Esse paradigma comportamental de consumo imediatista, que busca uma satisfação rápida sem considerar as consequências, precisa ser alterado, caso contrário, os danos causados ao meio ambiente assumirão proporções absurdas e irreversíveis, como o aumento de 1,5º da temperatura do planeta.
O consumo responsável pode ser uma das soluções.
Consumo sustentável nada mais é do que o consumo responsável e consciente, sendo o oposto do consumo imediatista.
A ideia de consumo sustentável surgiu gradualmente ao longo das gerações, e, nesse percurso histórico, três fatores atuaram conjuntamente para o surgimento do conceito do consumo sustentável: o ambientalismo público da década de 1970, a ambientalização do setor público da década de 1980 e a emergência da preocupação empresarial da década de 1990 sobre o impacto que os estilos de vida e hábitos de consumo têm sobre o meio ambiente.
O consumo sustentável é aquele em que há o uso de serviços e produtos que correspondem às necessidades básicas de toda a população, além de trazer qualidade de vida e reduzir os danos provocados ao meio ambiente. Isso significa que o consumo sustentável pressupõe, sobretudo, a redução do uso dos recursos naturais e da produção de lixo e outros materiais tóxicos.
O consumo consciente é uma alternativa que pode fazer parte das estratégias governamentais. É um movimento com potencial de agir positivamente e promover formas de enfrentar as crescentes crises de mudança climática.
Para nós, a ideia de consumo sustentável é a de promover a reflexão dos hábitos de consumo da população, despertando a consciência ecológica. Sendo assim, o consumidor consciente deve adquirir somente o que for necessário para suprir suas necessidades básicas de sobrevivência, evitando a aquisição de produtos supérfluos e o desperdício, contribuindo dessa forma para a preservação ambiental.
Esse é um dos principais elementos para se atingir o desenvolvimento sustentável, proporcionando recursos naturais em quantidade e qualidade às futuras gerações.
Acreditamos que seja essencial que se evite o desperdício, havendo o controle no consumo de água e energia elétrica, sendo necessário colocar em prática a Política dos 3 R’s (Reduzir, Reutilizar e Reciclar), além de adquirir produtos de qualidade e que, em sua produção, não tenha ocorrido a destruição dos recursos naturais.
Achamos bom informar que um banho de 15 minutos gasta 135 litros de água (você pode e deve gastar menos tempo); a cada 100 toneladas de plástico reciclado economiza-se uma tonelada de petróleo; e uma tonelada de papel reciclado economiza 10 mil litros de água e evita o corte de 17 árvores.
Seja a roupa que você usa, o alimento que você ingere ou o transporte que utiliza, toda escolha de consumo traz alguma consequência para o mundo.
A dependência do crescimento econômico para atender às demandas da população é, de certa forma, insustentável e composta por custo social e ambiental.
Com a disponibilidade finita de recursos naturais do planeta e os padrões atuais de desenvolvimento global baseados na extração contínua desses recursos, muitas vezes, sem a probabilidade de reposição, problemas como o aquecimento global e a poluição escancarada se alastram nas mais diversas regiões do mundo, como o que vem acontecendo no Deserto do Atacama e na periferia da capital de Acra no país de Gana.
Recentemente, uma a cada 5 pessoas começaram a ter hábitos de consumo mais conscientes, desde o período da pandemia, passando a ter o foco em iniciativas mais responsáveis, indo ao encontro da ideia de consumo sustentável.
Como já apontamos, vale ressaltar que o consumo sustentável é um movimento crescente que incentiva a sociedade a conscientizar-se sobre os impactos de suas práticas de consumo em seu próprio bem-estar, assim como do planeta.
Praticar um consumo mais sustentável é repensar suas escolhas e optar pelo melhor, nas possibilidades de cada um e estilos de vida. É ser mais consciente no ato de adquirir, utilizar e descartar produtos, priorizando atitudes que tenham menos impactos ao meio ambiente.
Por isso, optar por um consumo mais sustentável, também expande um processo de deliberação para consumir intencionalmente o que é mais benéfico e necessário. Reforçamos aqui uma maneira de consumir com consciência e escolher se essa consequência causará impactos mais positivos ou menos negativos.
O propósito de um consumo mais sustentável, no qual pessoas e empresas podem consumir melhor, envolve diversas mudanças de comportamento que podem começar com atitudes simples durante a rotina de seu dia a dia e necessidades básicas, visando o melhor aproveitamento de recursos, como em ações mais planejadas estrategicamente de modo a manter o equilíbrio do planeta.